O prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (sem partido), trabalha com o cenário de no mínimo mais duas candidaturas de oposição ao governador Ronaldo Caiado (DEM/União Brasil) nas eleições de 2022.

De acordo com um vereador aliado, que falou em off , esse é um desejo do próprio Mendanha, segundo o qual não é uma boa ideia ser o único oposicionista na disputa.

Há pelo menos três elementos levados em consideração ao pensar nessa estratégia. Primeiro, se não houver outras candidaturas, todas as atenções da máquina do estado estariam voltadas contra ele.

Segundo, com mais candidatos, a oposição se fortaleceria nas críticas contra o governo em propagandas eleitorais, nas redes sociais e nos debates, quando um poderia perguntar ao outro sobre a gestão estadual, sem que Caiado pudesse se defender.

Na avaliação de Mendanha, as duas candidaturas oposicionistas mais prováveis, além da sua, são a de PSDB e PT, o que ajudaria o prefeito de Aparecida de Goiânia em relação a uma outra questão.

Na live em que anunciou sua saída do MDB, devido à aliança entre Caiado e o presidente estadual do partido, Daniel Vilela, que será candidato a vice-governador na chapa caiadista, chamaram a atenção a quantidade de comentários sobre o PT.

Muitos internautas disseram que não votariam em Mendanha se ele estiver ao lado dos petistas, que veem o prefeito de Aparecida de Goiânia com bons olhos, mas condicionam uma aliança a uma declaração de apoio a Lula para que o ex-presidente tenha um palanque em Goiás no ano que vem.

Mendanha, por sua vez, estaria mais disposto a apoiar um candidato de centro. Assim, evitaria não só o desgaste de ter sua imagem vinculada ao PT, mas também ao bolsonarismo, outra força política que já cogitou apoiar o prefeito de Aparecida de Goiânia.

No caso do PSDB, a situação diz mais respeito ao cenário local. Liderados pelo ex-governador Marconi Perillo, os tucanos, em 2018, tiveram uma alta rejeição em Goiás, o que, conforme pesquisas internas, se mantém até hoje.

Embora Mendanha negue, os bastidores dão conta de que ele está em contato frequente com Marconi. De qualquer forma, é público que, quando vai ao interior, o prefeito de Aparecida de Goiânia sempre aparece acompanhado de lideranças do PSDB.

Há tucanos que, de fato, gostariam de apoiar Mendanha. Existe até uma especulação sobre a possível indicação da deputada estadual Lêda Borges, com base na região do entorno do Distrito Federal, o segundo maior colégio eleitoral do estado, para ocupar a vaga de vice na chapa mendanhista.

O prefeito de Aparecida de Goiânia, que ainda não tem um grupo político 100% formado, sabe da importância da estrutura do PSDB no interior. Porém, no fundo, assim como no caso dos petistas, ele prefere não se aliar publicamente a fim de evitar desgastes, até porque os tucanos são adversários históricos do MDB, seu ex-partido.

Esse é, portanto, o terceiro elemento que leva Mendanha a querer candidaturas de PSDB e PT contra Caiado em 2022. Por outro lado, essa estratégia pode gerar dois problemas.

Em primeiro lugar, se o candidato tucano for Marconi, ele ainda tem força suficiente para tirar Mendanha do segundo turno. Para o prefeito de Aparecida de Goiânia, então, o melhor cenário seria um nome do PSDB com menos votos, enquanto o ex-governador tentaria uma cadeira de deputado federal.

Por fim, do ponto de vista governista, segundo avaliam alguns palacianos, ter muitas candidaturas pode dividir a oposição, favorecendo, dessa forma, o objetivo de Caiado de se reeleger no primeiro turno.