Informação foi confirmada pelo presidente do Sindicato dos Laboratórios de Pesquisa e Análises Clínicas do DF. Segundo entidade, procura por testes cresceu 50% na última semana.

Teste de Covid-19 no DF — Foto: Breno Esaki/Agência Saúde-DF

O presidente do Sindicato dos Laboratórios de Pesquisa e Análises Clínicas do DF, Alexandre Bitencourt, disse, nesta terça-feira (4), que o Distrito Federal tem um caso registrado de infecção simultânea pelo novo coronavírus e pela gripe.

Casos de coinfecção têm sido registrados pelo país. A Secretaria de Saúde do DF, no entanto, afirma que ainda não foi notificada da situação e, por enquanto, não registra casos de infecção dupla por coronavírus e Influenza.

Segundo Alexandre Bitencourt, a coinfecção foi identificada em um exame feito em um laboratório particular da capital. O presidente do sindicato afirma que, na última semana, a procura por testes nesses estabelecimentos cresceu 50%.

“A gente tem observado que o numero de [diagnósticos] de Influenza tem aumentado bastante. Mas a gente não sabe ainda identificar, porque o período é muito pequeno. Não consigo fazer um comparativo se estou tendo mais Influenza ou mais Covid”, afirma. “A gente vai conseguir agrupar provavelmente no fim de janeiro qual o maior número que a gente tem. Se é de casos positivos de Covid ou de Influenza.”

A chamada dupla contaminação é constatada quando os dois testes – para gripe e para Covid – dão positivo. Ela foi apelidada de “flurona” (união dos termos “flu”, de influenza, com “rona” de coronavírus) na imprensa internacional, mas o termo não designa um novo tipo de doença, apenas uma forma simplificada de se referir à ocorrência simultânea de contaminações.

Ainda não é possível dizer se o paciente com esse quadro terá um quadro pior de saúde. O infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) Renato Kfouri explica que ela pode comprometer a saúde de pessoas que já são imunocomprometidas, mas, em geral, a dupla contaminação não significa que você terá quadro mais grave.

Mirian Dal Ben, infectologista do Hospital Sírio Libanês, explica que a infecção dupla não aumenta as chances de óbito nem faz com que as doenças sejam mais leves.

“O importante é que as pessoas precisam saber que a gente não tem nada ainda na ciência que fale pra gente que pegar as duas coisas ao mesmo tempo aumente as chances da pessoa morrer ou que faça a doença talvez ser mais leve. Nenhuma das duas coisas”.

Aumento da transmissão da Covid

Nos últimos dias, o DF tem registrado um aumento na taxa de transmissão da Covid-19. O índice, que permaneceu abaixo de 1 durante todo o mês de dezembro, voltou a crescer e chegou a 1,12 nesta terça-feira.

Quando a taxa está abaixo de 1, indica retração do contágio. Já quando está acima de 1, aponta avanço da transmissão. O número de casos diários também tem crescido e, no último boletim, foi de 602 infectados.

Testes de Influenza

Já os casos de infecção pela Influenza permanece em 8, segundo a Secretaria de Saúde. Desses, a pasta afirma que apenas três foram confirmados como Influenza A H3N2, vírus que tem causado surtos de gripe pelo Brasil e o mundo.

No entanto, o número pode ser bem maior. Isso porque a SES-DF só faz o teste para Influenza em pacientes que desenvolvem a forma grave da doença e chegam a ser internados. A pasta afirma que “segue o protocolo do Ministério da Saúde para testar, apenas, os quadros que chegam a síndrome respiratória grave”.

Na hospitais da rede particular que fazem o teste para Influenza, os resultados positivos aumentaram 24% no fim do ano. Para o infectologista Julival Ribeiro, com a circulação de vírus mais transmissíveis, o importante é que a população continue tomando os cuidados. E, em caso de sintomas, procure fazer testes, já que os tratamentos são diferentes.

“As medidas preventivas são iguais: usar máscara, ficar isolado se for em quarentena em casa, higienização das mãos para não transmitir ambos os vírus”, explica.